quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Novas evidências sobre a TENS

Dando continuidade a nossa série sobre efetividade do TENS (link), trago os resultados da última pesquisa sobre o assunto. Um grupo da Turkia publicou este mês no Archives of Physical Medicine and Rehabilitation (FI= 2,184) resultados de uma avaliação duplamente cega entre grupos de participantes randomizados com Síndrome de túnel do carpo (STC), analisando resultados de imagens de Ressonância Nuclear Magnética Funcional1.
Dois grupos de 10 indivíduos com STC receberam uma aplicação de 30 minutos de TENS convencional (T=200µs, F=100Hz, estímulo sensorial, sem contração perceptível) e TENS placebo (sem intensidade de corrente), sobre o nervo mediano. Depois de 20-25 minutos do término da estimulação elétrica, foi encontrada diminuição significativa da ativação cortical de áreas relacionadas a percepção da dor no grupo submetido a TENS, o que não aconteceu no grupo controle (TENS placebo). Esta analgesia durou até 30-35 minutos após o tratamento.
Estudos com RNMf são baseados em alterações no nível de oxigenação sanguínea regional, que refletem mudanças no metabolismo e atividade celular. Esta técnica está sendo cada vez mais utilizada para demonstrar atividade funcional de áreas do cérebro ao longo do tempo e para avaliar a resposta terapêutica de analgésicos em várias condições dolorosas.
A despeito de uma amostra tão pequena, o estudo demonstrou, através de um método científico e inovador, as alterações funcionais que ocorrem no sistema nervoso central após a estimulação elétrica analgésica. Comprovou assim, laboratorialmente, a eficácia do TENS para portadores de STC.
A efetividade, melhor definida como o benefício clínico e de maior relevância para a rotina dos serviços, não foi discutida, pois não foi mensurada pelos autores. Foi feita uma única aplicação, afim de comparar alterações antes e após a estimulação elétrica. O estudo não teve objetivo de avaliar efetividade clínica do recurso, mas adiantou que estes resultados são preliminares de futuras pesquisas neste sentido.

Referência:
1. Kara M, Özçakar L, Gökçay D, Özçelik E, Yörübulut M, Güneri S, et al. Quantifcation of the effects of transcutaneous electrical nerve stimulation with functional magnetic resonance imaging: a double-blind randomized placebo-controlled study. Arch Phys Med Rehabil. 2010 Ago;91:1160-5.
OBS: Respeite o trabalho alheio! Copiar estas postagens é permitido, desde que citada devidamente a fonte.

4 comentários:

Reinaldo T. dos Anjos - Fisioterapeuta disse...

Caro Dr Lázaro Juliano Teixeira

Dada a relevância das informações científicas publicadas em seu site, lhe parabenizo e comunico que acabo de acrescentá-lo à lista de recomendações em meu blog. Também sou fisioterapeuta e admiro atitudes como a sua de mostrar como os recursos fisioterapêuticos podem levar qualidade de vida a população em geral, além de estimular o estudo por parte de acadêmicos e profissinais. Assim que puder faça-nos uma visita:

reinaldodosanjos.blogspot.com

Conto com sua colaboração na discussão de temas relevantes na área.

Forte Abraço.

Lázaro Juliano Teixeira disse...

Prezado Dr. Reinaldo:
Agradeço imensamente sua visita e considerações sobre o site. Imediatamente retribui a visita.
Parabéns também pelo elevado nível de suas postagens, cujo link já foi adicionado nos sites recomendados.
Um grande abraço e até mais,

pada disse...

Caro Lázaro. Muito boa sua postagem. Não tenho experiência com eletroterapia muito menos com o TENS, apesar de acreditar que possa ser útil na prática clínica em alguns casos e no que você vem demonstrando em discussões sobre artigos. Como diversos outros recursos fisioterapêuticos, temos explicações muito bem elaboradas com bastante experiência porém com pouca ciência como justificativa. Acredito também que a grande falha da eletroterapia, o TENS no caso, está nas diferentes aplicabilidades de frequencia ou dosagem, onde cada fisioterapeuta elege a sua. E, no final das contas, todos chegam ao mesmo lugar. Sempre achei este final muito engraçado, pois não consigo imaginar pacientes diferentes, com doses e frequencias diferentes, todos conseguindo excelentes resultados. Até mesmo os desenhos de artigos onde cada um usa um protocolo diferente e todos conseguem benefícios. Mesmo que existam mudanças funcionais no SNC, algum outro mecanismo interfere nestes resultados.
Obrigado e grande abraço
Artur

Lázaro Juliano Teixeira disse...

Grande Artur:
Obrigado pela visita e comentário. De fato, a comprovação da eficácia da maioria de nossos recursos ainda é muito frágil. Interessante, porém, é a velocidade com que isso está se revertendo, não é mesmo?
Sobre a efetividade dos diferentes tipos de TENS, as revisões sistemáticas sobre o assunto já vêm diferenciando sua análise nesse sentido. Interessante observar que os resultados tendem a serem diferentes também, conforme os parâmetros de aplicação. Adianto isso de um estudo que fizemos a pouco sobre sua utilização no trabalho de parto, cujos resultados mudaram bastante de uma forma de TENS para outra.
Um abraço ao amigo e até mais,
Lázaro