domingo, 12 de setembro de 2010

AVC, AVE ou Derrame?

Na última edição da Revista Neurociências (atalho aqui), em uma carta ao editor (acesso aqui), Rubens José Gagliardi, Professor Titular  de Neurologia  da  Faculdade  de Ciências Médicas  da Santa Casa de São Paulo, debate a denominação "Derrame", "Acidente Vascular Cerebral" e "Acidente Vascular Encefálico".

Resumidamente, o autor sugere seguir recomendações elaborada pela Sociedade de Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), que consensou em 1996 e ratificou em 2008, a utilização do termo derrame ao se dirigir a um público leigo, e acidente vascular cerebral ao se dirigir a um público especializado.

Esta sociedade não recomenda o termo Acidente vascular encefálico não oferecer benefício semântico significativo em relação aos demais. além de ser impreciso e pouco conhecido.

Vale a pena dar uma olhada nesse artigo curto e cheio de curiosidades sobre esses termos.

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6 comentários:

Tania disse...

Nenhum dos dois. Atualmente sabemos que não se trata de "Acidente" algum. Hoje como já conhecemos mais profundamente sinais e sintomas relacionados e a incidência se tornou corriqueira, tanto para a doença hemorrágica, quanto para a doença esquêmica, chamamos de "DVE"= Doença Vascular Encefálica. Favor, se atualizar, grata.

Lázaro Juliano Teixeira disse...

Aos usuários do site:
Destacamos que, conforme as regras de postagem, comentários sem identificação ou identificação incompleta são serão autorizados e que informações de saúde devem ser acompanhadas de fonte.
Se o comentário for uma opinião pessoal, isso deve ficar claro.
Agradecemos a visita e a participação.

Lázaro Juliano Teixeira disse...

Prezada Tânia (??):
Agradeço a sua visita e participação e esclareço que decidi publicar seu comentário pela relevância potencial para um debate.
No dicionário HOUAISS, uma das definições do termo acidente é "1. acontecimento casual, fortuito, inesperado; ocorrência. 1.1 qualquer acontecimento, desagradável ou infeliz, que envolva dano, perda, lesão, sofrimento ou morte." Outras definições e exemplos podem ser verificados.
Assim, pelo que entendi, o evento vascular que você chamou de "doença", pode também ser descrito como acidente.
Além disso, os termos são recomendações de uma organização profissional, representada por especialistas, e o texto é de um professor da academia, titular de neurologia, publicada em um periódico nacional de respeito, em junho de 2010, portanto, bastante atual.
Melhorias neste uso podem ser sugeridas, debatidas e ponderadas, porém só terão força se apresentadas por uma representação profissional de peso, uma autoridade no assunto, ou se referenciada de forma adequada.
Fico a disposição e aberto a considerações.
Abraços e até mais,
Lázaro J. Teixeira

Revista Neurociências disse...

Caro Lázaro,
Fico grato por divulgar o artigo do Prof. Rubens Gagliardi, pois é relevante se discutir estas formas de nos referirmos às doenças. Devemos considerar que o termo técnico AVC semanticamente tem um apelo muito grande, quando consideramos todos os profissionais envolvidos no cuidado de pacientes, provendo entendimento imediato do evento com apenas tres letras. É possível que muitos possam até não saber o que significa, principalmente aqueles de nível médio, motoristas, técnicos de áreas específicas, funcionários da limpeza, voluntários e tantos outros. Utilizar termos como AVE, somente traz ruído a um entendimento que já se encontra estabelecido e permite imediata avaliação de grande número de variáveis e cuidados que se seguem. Esta é uma grande vantagem da comunicação.
Da mesma forma a palavra derrame, que está bem integrada à subjetividade de representação em nossa cultura, e seria imprudente substituí-la. Cabe a nós, envolvidos especificamente com o assunto, fazer a translação para a semântica técnica, um universo de significações que só o especialista tem acesso. O termo doença cérebro-vascular é amplo e nem sempre se expressa agudamente. É assim com as palavras, pode ser que em 1.000 anos, o termo AVC (ou stroke, veja que palavra!), refira-se apenas ao fenômeno deficitário motor, e algum filólogo em sua pesquisa faça inúmeras hipóteses para explicar a origem de tal termo associado a aquele significado.
Gilmar F. Prado, Neurologista, Editor da Rev. Neurociências.

Lázaro Juliano Teixeira disse...

Prezado Prof. Gilmar Fernandes do Prado:
Estou grato e honrado pelo comentário!!!
Sua participação engrandece este debate.
Destaco o fato de o Prof. Gilmar, professor da Universidade Federal de São Paulo e neurologista, também é o Editor Chefe da Revista Neurociências, periódico brasileiro com enorme número de artigos relevantes para a práxis fisioterapêutica.
Vale a pena espiar no endereço www.revistaneurociencias.com.br/.
Abraços,
Lázaro J. Teixeira

Anônimo disse...
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